A importância de um dia!

O 29 de janeiro foi escolhido para ser o Dia da Visibilidade Trans, por ter sido, nesse dia em 2004 que 27 travestis, mulheres transexuais e homens trans entraram no Congresso Nacional em Brasília para lançar a campanha “Travesti e Respeito”, do Departamento de DST, AIDS e Hepatites do Ministério da Saúde.

Essa foi a primeira campanha a nível nacional idealizada e organizada por pessoas trans com o objetivo de promover o respeito e a cidadania dessa população. Desde então, utiliza-se essa data como um marco de luta, visibilidade e comemoração.

Mas, é importante eleger um dia específico?

Atualmente, o Brasil ocupa a posição de país que mais mata pessoas transexuais e transgêneros no mundo. O ranking foi elaborado pela organização civil europeia Transgender Europe.

De acordo com a ONU, em números absolutos, de 2008 a 2016 foram relatados 866 assassinatos de pessoas trans, o número é o triplo que o do México e quase seis vezes maior ao apresentado pelos Estados Unidos da América.

A violência contra as pessoas trans possuem algumas motivações.

A sociedade marginaliza esse grupo com fundamento no preconceito. Por vezes, iniciada dentro de casa, com o abandono. O ódio fora de casa. E a exclusão no mercado de trabalho. Esse conjunto de fatores faz com que essas pessoas ocupem uma posição de vulnerabilidade.

De acordo com a presidente da Rede Trans, Tatiane Araújo, 90% das pessoas trans brasileiras atuam como profissionais do sexo, uma vez que não encontram oportunidade em outro tipo de trabalho e não possuem o amparo familiar.

Deste modo, acabam sendo restringidas de diversos espaços de visibilidade, ainda de acordo com a Rede Trans, em torno de 82% dos (as) estudantes trans abandonaram o estudo, por preconceito no ambiente escolar, bem como o familiar.

Possuir um dia específico para debater acerca de pessoas trans promove não apenas visibilidade no sentido de tornar-se visto, como também a visibilidade da restrição dos seus direitos, a visibilidade das suas problemáticas como preconceito e violência, o abandono, a marginalização, a necessidade de luta constante e de buscar romper tantas celeumas por meio do afeto.

Foi por meio dessa visibilidade e luta que o Brasil deu passos importantes nos últimos anos em busca de promover um espaço menos desigual. Uma das maiores conquistas aconteceu por meio de resolução da Corregedoria Nacional de Justiça.

Desde junho de 2018 as pessoas maiores de idade podem solicitar a mudança para o nome social em qualquer cartório do país, sem necessidade de realizar cirurgia de mudança de sexo, parecer psicológico ou lado médico.

A resolução ocorreu no mesmo período que a OMS retirou a transexualidade da lista de transtornos mentais da Classificação Internacional de Doenças (CID), passando a ter a classificação de “incongruência de gênero”, passando a fazer parte da seção de “condição relativa à saúde sexual”.

Que o dia 29 de janeiro seja sempre mais um dia de luta, visibilidade e respeito.

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